Renovação da pele

Peelings químicos: renovação da pele com indicação individualizada

Peeling não é sinônimo de descamar intensamente.

A palavra vem do inglês to peel, que significa descascar, mas o objetivo do tratamento não é simplesmente fazer a pele soltar. O peeling químico utiliza substâncias específicas para produzir uma renovação controlada, cuja intensidade varia conforme o produto, a concentração, o tempo de contato e as características da pele.

Dependendo da indicação, ele pode ajudar a melhorar textura, luminosidade, oleosidade, acne, manchas selecionadas e sinais de envelhecimento.

Mas não existe um peeling ideal para todas as pessoas.

Antes de escolher o ácido ou a intensidade, preciso compreender o que está sendo tratado, como a sua pele costuma reagir e quanto tempo de recuperação é adequado para a sua rotina.

O que é um peeling químico?

O peeling químico consiste na aplicação de uma substância sobre a pele para promover uma renovação controlada de suas camadas.

Depois desse estímulo, ocorre um processo de reparação. A pele elimina células danificadas e reorganiza parte de suas estruturas, o que pode melhorar a uniformidade, a textura e o aspecto geral da região tratada.

Existem diferentes substâncias utilizadas nos peelings, como:

  • Ácido glicólico.
  • Ácido salicílico.
  • Ácido mandélico.
  • Ácido lático.
  • Ácido retinoico.
  • Ácido tricloroacético.
  • Combinações de diferentes agentes.

Cada um apresenta características próprias. Alguns têm maior afinidade com peles oleosas; outros são utilizados principalmente para pigmentação, acne ou renovação da superfície.

O nome do ácido, porém, não define sozinho o resultado. A concentração, o preparo da pele, o número de camadas e o tempo de aplicação também interferem na profundidade alcançada.

Por isso, não considero adequado escolher um peeling apenas porque ele funcionou bem para outra pessoa.

Peelings superficiais, médios e profundos

Os peelings são classificados de acordo com a profundidade que alcançam na pele.

Peelings superficiais

Atuam nas camadas mais externas.

Costumam ser utilizados para melhorar luminosidade, textura, oleosidade, acne superficial e alterações leves da pigmentação.

Em geral, apresentam recuperação mais rápida. Pode haver vermelhidão, sensibilidade e descamação discreta, mas algumas pessoas quase não descamam.

Eles podem ser realizados em sessões programadas, dependendo do objetivo e da resposta da pele.

Peelings médios

Atingem camadas mais profundas e produzem uma renovação mais intensa.

Podem ser considerados para manchas selecionadas, sinais mais evidentes de dano solar, rugas finas e algumas cicatrizes superficiais.

O período de recuperação é maior, com vermelhidão, escurecimento temporário da pele e descamação mais perceptível.

Esse tipo de peeling exige preparação, indicação criteriosa e acompanhamento mais próximo.

Peelings profundos

Produzem uma renovação extensa e possuem recuperação prolongada.

São procedimentos de maior complexidade, que exigem seleção rigorosa do paciente, ambiente apropriado e cuidados específicos. Não devem ser confundidos com os peelings superficiais realizados rotineiramente em consultório.

Quanto mais profundo o tratamento, maior pode ser a capacidade de renovação — mas também maiores são o período de recuperação e a possibilidade de efeitos indesejados.

O que os peelings podem melhorar?

Dependendo da substância e da profundidade escolhidas, os peelings podem ser utilizados no tratamento de:

  • Pele opaca e com textura irregular.
  • Oleosidade excessiva.
  • Cravos e alguns quadros de acne.
  • Marcas superficiais deixadas pela acne.
  • Manchas após processos inflamatórios.
  • Manchas solares selecionadas.
  • Alterações relacionadas ao dano solar.
  • Linhas finas.
  • Poros aparentes.
  • Algumas lesões superficiais benignas.

Isso não significa que o peeling seja a melhor opção para todas essas queixas.

Cicatrizes profundas, flacidez, rugas causadas principalmente pela movimentação muscular e perdas de volume, por exemplo, não costumam ser resolvidas apenas com uma renovação da superfície.

Em algumas situações, o peeling será o tratamento principal. Em outras, fará parte de um plano que pode incluir cuidados domiciliares, medicamentos, lasers, luz intensa pulsada, microagulhamento ou procedimentos injetáveis.

Descamar mais significa ter um resultado melhor?

Não necessariamente.

A descamação é uma possível consequência do peeling, mas não é a medida de sua qualidade.

Alguns tratamentos superficiais produzem pouca ou nenhuma descamação visível e ainda assim promovem renovação. Outros provocam descamação intensa porque foram planejados para alcançar camadas mais profundas.

Tentar aumentar a intensidade apenas para “ver a pele descascar” não torna o procedimento mais eficiente.

O melhor peeling é aquele que alcança a profundidade necessária para tratar a sua queixa sem expor a pele a uma agressão desproporcional.

Também não é adequado puxar ou remover manualmente a pele que está soltando. Isso pode aumentar a irritação e favorecer manchas.

Peeling pode ajudar no tratamento da acne?

Sim, em casos selecionados.

Alguns peelings ajudam a reduzir a oleosidade, desobstruir os poros e melhorar cravos e lesões superficiais. Também podem contribuir para a uniformização das marcas que permanecem após a acne.

Mas acne não é uma condição única.

Quando existem lesões muito inflamadas, nódulos, cistos ou cicatrizes profundas, o peeling isolado pode ser insuficiente. Nesses casos, preciso avaliar se há indicação de tratamento clínico antes ou em conjunto com o procedimento.

Também diferencio manchas de cicatrizes.

Uma marca escura ou avermelhada pode melhorar com a renovação da pele. Já uma cicatriz deprimida representa uma alteração na estrutura e pode exigir outras técnicas.

E no tratamento do melasma?

O melasma exige cautela.

Ele é uma condição crônica e complexa, influenciada pela exposição solar, pelo calor, por fatores hormonais e pela predisposição individual.

Alguns peelings superficiais podem fazer parte do tratamento, ajudando a melhorar a distribuição do pigmento e a resposta aos cuidados domiciliares.

No entanto, um procedimento muito intenso pode provocar inflamação e favorecer o escurecimento da pele.

Por isso, não considero o peeling uma solução isolada ou definitiva para o melasma.

O tratamento costuma envolver proteção solar, controle da exposição à luz e ao calor, produtos de uso domiciliar e, quando indicado, procedimentos escolhidos de maneira cuidadosa.

O objetivo é controlar a condição, melhorar as manchas e reduzir as recorrências — sem prometer que o melasma nunca voltará.

Peles morenas e negras podem fazer peeling?

Podem, desde que o tratamento seja escolhido e preparado adequadamente.

Peles com maior quantidade de melanina apresentam maior tendência a desenvolver alterações de pigmentação depois de processos inflamatórios.

Isso não impede a realização do peeling, mas exige mais atenção à substância utilizada, à concentração, ao tempo de contato e aos cuidados antes e depois do procedimento.

Também avalio se a pele está irritada, sensibilizada ou bronzeada e se existe histórico de manchas após acne, feridas ou outros tratamentos.

O mesmo protocolo não deve ser aplicado da mesma forma em todos os fototipos.

O que esperar da consulta

Mais do que uma avaliação estética, essa é uma consulta médica.

Primeiro, quero entender o que incomoda você: manchas, acne, textura, oleosidade, linhas ou perda de luminosidade.

Depois, examino a pele para identificar a origem da alteração e verificar se o peeling é realmente a melhor estratégia.

Durante a consulta, avalio:

  • Seu tipo e fototipo de pele.
  • A presença de acne, melasma ou outras condições.
  • A profundidade das manchas e cicatrizes.
  • Sensibilidade, ressecamento ou irritação.
  • Tendência a manchas depois de inflamações.
  • Produtos e medicamentos em uso.
  • Procedimentos realizados anteriormente.
  • Exposição solar e bronzeamento recentes.
  • O tempo de recuperação que você pode aceitar.
  • A proximidade de viagens, eventos ou compromissos.
  • O resultado que você espera alcançar.

Em alguns casos, preparo a pele por algumas semanas antes do procedimento. Esse cuidado pode melhorar a resposta, uniformizar a ação do peeling e reduzir a possibilidade de pigmentação indesejada.

Também posso concluir que outro tratamento será mais apropriado para a sua queixa.

A escolha do ácido vem depois dessa avaliação.

Como é realizado o procedimento?

No dia do peeling, a pele é higienizada e preparada para receber a substância escolhida.

Durante a aplicação, você pode sentir ardência, calor ou formigamento. A intensidade varia conforme o agente utilizado e a profundidade planejada.

Alguns peelings permanecem sobre a pele por um período determinado e são neutralizados ou removidos no consultório. Outros continuam agindo e são retirados em casa no horário orientado.

A aparência imediatamente após o procedimento também varia. A pele pode ficar avermelhada, brilhante, esbranquiçada em alguns pontos ou aparentemente sem grandes alterações.

Antes de você ir para casa, explico como realizar a higienização, quais produtos utilizar e o que deve ser evitado durante a recuperação.

Como fica a pele depois?

A recuperação depende da profundidade do peeling.

Nos superficiais, pode ocorrer:

  • Vermelhidão discreta.
  • Sensibilidade.
  • Ressecamento.
  • Repuxamento.
  • Descamação fina.

Nos tratamentos mais intensos, a pele pode escurecer temporariamente antes de descamar. Também pode haver inchaço, formação de crostas finas e maior sensibilidade.

Durante esse período, a proteção solar é essencial.

Também é importante utilizar apenas os produtos orientados. Ácidos, esfoliantes, retinoides e substâncias irritantes podem precisar ser interrompidos temporariamente.

Não recomendo tentar acelerar a recuperação com esfoliação ou puxando as peles soltas. O processo precisa acontecer no tempo da própria pele.

Quantas sessões são necessárias?

Não existe um número obrigatório.

Alguns peelings são planejados como tratamento único. Outros funcionam melhor em uma sequência de sessões superficiais, realizadas com intervalos seguros.

A quantidade depende:

  • Do diagnóstico.
  • Da profundidade do peeling.
  • Da substância utilizada.
  • Da resposta da pele.
  • Do objetivo do tratamento.
  • Dos cuidados realizados em casa.
  • Da possibilidade de exposição solar durante o período.

Antes de repetir o procedimento, avalio como a pele respondeu.

Aumentar a concentração ou reduzir o intervalo entre as sessões não significa obter um resultado melhor. O tratamento precisa respeitar o tempo de reparação dos tecidos.

Peelings vendidos para uso em casa são iguais?

Não.

Produtos de uso domiciliar geralmente possuem concentrações e formulações diferentes das utilizadas em procedimentos médicos.

Mesmo assim, substâncias compradas pela internet ou usadas sem orientação podem causar irritações e queimaduras quando aplicadas em concentração elevada, por tempo excessivo ou sobre uma pele sensibilizada.

A profundidade alcançada não depende apenas do nome do ácido. Depende da concentração, do pH, da quantidade aplicada, do número de camadas e do tempo de contato.

Por isso, não recomendo reproduzir em casa um procedimento planejado para ser realizado no consultório.

Quais são os riscos?

Quando bem indicado e realizado com técnica adequada, o peeling pode ser um tratamento seguro.

Ainda assim, podem ocorrer irritação, vermelhidão prolongada, alteração da pigmentação, reativação de herpes, infecção ou cicatriz.

A possibilidade de manchas depois do procedimento merece atenção especial em peles morenas, negras, bronzeadas ou com histórico de hiperpigmentação após inflamações.

A segurança depende do diagnóstico, da escolha da substância, da profundidade planejada, do preparo da pele e dos cuidados posteriores.

Não basta escolher um ácido conhecido. É necessário saber como ele interage com aquela pele e reconhecer o momento correto de interromper ou neutralizar sua ação.

O que você deve me contar antes do tratamento

Na consulta, informe:

  • Doenças e condições de saúde.
  • Medicamentos em uso.
  • Alergias.
  • Gestação ou amamentação.
  • Histórico de herpes.
  • Tendência à formação de queloides.
  • Melasma ou manchas depois de inflamações.
  • Exposição solar ou bronzeamento recentes.
  • Produtos e ácidos utilizados na pele.
  • Tratamentos para acne.
  • Cirurgias ou procedimentos recentes.
  • Reações a peelings anteriores.

Não suspenda medicamentos ou produtos por conta própria. Quando algum ajuste for necessário, ele será orientado de forma individual.

A minha abordagem

Não escolho o peeling pela intensidade da descamação nem utilizo um protocolo igual para todas as pessoas.

Primeiro, identifico o que precisa ser tratado. Depois, considero o fototipo, a sensibilidade da pele, a rotina de cuidados e o tempo disponível para recuperação.

Em alguns casos, indico uma sequência de peelings superficiais. Em outros, um procedimento mais intenso pode fazer sentido. Também existem situações em que o peeling não é a melhor escolha.

Meu objetivo não é provocar a maior renovação possível, mas a renovação adequada para aquela pele.

O resultado deve ser construído com segurança, respeitando os limites dos tecidos e combinando o procedimento com os cuidados necessários para manter a melhora.

A indicação vem antes do ácido

Peelings podem melhorar textura, luminosidade, oleosidade, manchas e outros aspectos da pele quando existe uma indicação correta.

Mas o mesmo ácido pode produzir respostas muito diferentes dependendo da concentração, da técnica e das características individuais.

Antes de escolher o produto ou definir o número de sessões, preciso examinar sua pele, compreender a origem da queixa e planejar a profundidade adequada para o resultado que buscamos.

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Conteúdo informativo, escrito e revisado pela Dra. Thais Passos (CRM-MG 101191 · CRM-SP 246637). Não substitui a consulta médica, não configura promessa de resultado e não recomenda automedicação. Indicações, limitações, riscos e resultados variam conforme o diagnóstico, a substância utilizada e as características individuais.

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