Cirurgia ambulatorial

Pequenas cirurgias dermatológicas: quais procedimentos podem ser realizados no consultório?

Nem toda cirurgia precisa de internação ou de um centro cirúrgico hospitalar.

Na dermatologia, diversos procedimentos podem ser realizados de forma ambulatorial, no próprio consultório, com anestesia local e retorno para casa após o atendimento.

Essas intervenções são popularmente chamadas de pequenas cirurgias. O nome, porém, não significa que devam ser tratadas como algo sem importância. Mesmo um procedimento de menor porte exige diagnóstico, planejamento, técnica cirúrgica, controle de infecção e acompanhamento adequado.

Algumas cirurgias são realizadas para retirar uma lesão que incomoda, inflama ou sofre traumas repetidos. Outras são necessárias para esclarecer um diagnóstico ou tratar uma alteração potencialmente maligna.

Por isso, antes de decidir pela retirada, preciso avaliar o tipo de lesão, sua localização, profundidade, tamanho e comportamento ao longo do tempo.

O que são pequenas cirurgias dermatológicas?

São procedimentos realizados na pele, no tecido subcutâneo, nas unhas ou em estruturas próximas, geralmente sob anestesia local.

Dependendo da indicação, posso remover completamente uma lesão, retirar apenas uma pequena amostra para análise, drenar uma coleção, corrigir uma alteração da unha ou reconstruir uma área após a retirada de uma lesão.

Entre os procedimentos mais comuns estão:

  • Biópsias de pele.
  • Retirada de pintas e outras lesões.
  • Exérese de cistos e pequenos lipomas.
  • Tratamento cirúrgico da unha encravada.
  • Remoção de verrugas selecionadas.
  • Avaliação de lesões suspeitas e encaminhamento, quando necessário.
  • Correção do lóbulo da orelha rasgado ou alargado.

Nem todos os casos podem ou devem ser tratados da mesma forma. A técnica é escolhida depois da consulta, e não apenas pelo nome que a lesão recebeu anteriormente.

Biópsia de pele

A biópsia consiste na retirada de uma pequena amostra da pele para análise anatomopatológica.

Ela pode ser indicada quando uma lesão apresenta características que precisam ser esclarecidas ou quando é necessário confirmar uma doença inflamatória, infecciosa ou tumoral.

Existem diferentes técnicas de biópsia. Em alguns casos, retiro apenas um pequeno fragmento. Em outros, a lesão pode ser removida por completo.

A escolha depende da hipótese diagnóstica, da profundidade da alteração e da região em que ela se encontra.

O procedimento costuma ser realizado com anestesia local. Dependendo da técnica, podem ser necessários pontos.

O material retirado é encaminhado ao laboratório, onde será examinado por um médico patologista. Esse resultado ajuda a confirmar o diagnóstico e a definir se algum tratamento adicional será necessário.

Por isso, a biópsia não deve ser vista apenas como uma retirada. Ela é uma etapa importante da investigação médica.

Retirada de pintas e outras lesões de pele

Nem toda pinta precisa ser removida.

Algumas são acompanhadas por meio do exame dermatológico e da dermatoscopia. Outras podem ter indicação de retirada por apresentarem alterações, crescerem, mudarem de cor, sofrerem traumas frequentes ou causarem incômodo.

Também podem ser removidas outras lesões benignas, como:

  • Fibromas moles.
  • Queratoses seborreicas.
  • Dermatofibromas.
  • Hidrocistomas.
  • Granulomas piogênicos.
  • Pequenas lesões císticas.

A forma de remoção varia.

Algumas lesões superficiais podem ser tratadas por shaving, curetagem, eletrocirurgia ou crioterapia. Outras precisam ser retiradas cirurgicamente, com uma margem de pele e fechamento com pontos.

A decisão não deve ser baseada apenas no tamanho ou na aparência. Antes de remover, avalio se há necessidade de preservar a lesão inteira para análise e qual método produzirá o melhor equilíbrio entre diagnóstico, tratamento e cicatriz.

Mesmo quando a motivação é estética, a lesão precisa ser examinada antes.

Cistos

Os cistos epidérmicos, muitas vezes chamados popularmente de cistos sebáceos, são formações arredondadas localizadas sob a pele.

Eles podem permanecer pequenos e assintomáticos durante anos ou aumentar progressivamente. Alguns inflamam, tornam-se dolorosos e podem drenar um conteúdo de odor característico.

Quando existe indicação cirúrgica, procuro retirar não apenas o conteúdo, mas também a cápsula do cisto. Se essa cápsula permanecer, a lesão pode voltar.

Nos casos em que há inflamação intensa ou infecção, pode ser necessário controlar primeiro o processo agudo antes de realizar a retirada definitiva.

Por esse motivo, espremer ou manipular repetidamente um cisto em casa pode dificultar o tratamento, aumentar a inflamação e comprometer a qualidade da cicatriz.

Lipomas

Lipomas são nódulos formados por tecido gorduroso, geralmente localizados abaixo da pele.

Na maioria das vezes, apresentam crescimento lento, consistência macia e mobilidade à palpação. Podem surgir em diferentes partes do corpo e variar bastante de tamanho.

A retirada pode ser considerada quando o lipoma cresce, causa dor, sofre traumas frequentes, interfere com roupas ou movimentos ou gera incômodo estético.

Durante a consulta, avalio se o aspecto é compatível com um lipoma e se há necessidade de exames complementares antes da cirurgia.

Lipomas pequenos e superficiais frequentemente podem ser removidos em ambiente ambulatorial. Lesões maiores, profundas ou localizadas próximas a estruturas importantes podem precisar de outro tipo de planejamento.

Tratamento da unha encravada

A unha encravada ocorre quando uma de suas bordas penetra ou comprime a pele ao redor, causando dor, inflamação e, em alguns casos, formação de tecido exuberante ou infecção.

Nos quadros iniciais, medidas clínicas e cuidados com o corte da unha podem ser suficientes.

Quando o problema é recorrente ou mais avançado, posso indicar um procedimento cirúrgico.

Em muitos casos, não é necessário retirar toda a unha. É possível remover apenas a faixa lateral que está causando o problema e tratar a parte correspondente da matriz, responsável pelo crescimento daquela borda.

O objetivo é aliviar a dor e reduzir a chance de a unha voltar a encravar no mesmo local.

Também avalio fatores que podem contribuir para a recorrência, como formato da unha, corte inadequado, pressão dos calçados, alterações anatômicas e traumas repetidos.

Tratamento de verrugas

As verrugas são causadas por tipos do papilomavírus humano e podem aparecer em diferentes regiões do corpo.

Algumas desaparecem espontaneamente. Outras persistem, aumentam, multiplicam-se ou causam dor e constrangimento.

O tratamento depende da localização, da quantidade, da espessura das lesões e do perfil de cada paciente.

Entre as possibilidades estão:

  • Crioterapia com nitrogênio líquido.
  • Curetagem.
  • Eletrocirurgia.
  • Tratamentos medicamentosos.
  • Remoção cirúrgica em situações selecionadas.

Nem toda lesão com aparência áspera é uma verruga. Queratoses, calosidades e alguns tumores cutâneos podem ter aspecto semelhante.

Por isso, o diagnóstico vem antes do tratamento.

Também é importante entender que a retirada da lesão visível não garante que uma nova verruga nunca aparecerá. O tratamento precisa ser acompanhado, especialmente quando existem várias lesões ou recorrências frequentes.

Avaliação de lesões suspeitas e encaminhamento

Algumas alterações da pele precisam de uma avaliação cuidadosa para afastar a possibilidade de câncer de pele.

Durante a consulta, examino a aparência da lesão, sua localização, o tempo de evolução e as mudanças percebidas ao longo do tempo. Quando indicado, a dermatoscopia pode ajudar a observar estruturas que não são visíveis a olho nu.

Alguns sinais que merecem atenção incluem:

  • Ferida que não cicatriza.
  • Lesão que sangra repetidamente.
  • Pinta que mudou de tamanho, formato ou cor.
  • Lesão que cresce de maneira progressiva.
  • Área da pele que forma crostas repetidas.
  • Alteração que se tornou diferente das demais pintas do corpo.

Esses sinais não significam necessariamente que exista um câncer de pele, mas indicam a necessidade de avaliação médica.

Identificar uma lesão suspeita precocemente pode permitir uma investigação mais rápida e, quando o diagnóstico é confirmado, um tratamento mais simples e melhor planejado.

Quando há indicação de tratamento oncológico, encaminho o paciente ao profissional e ao ambiente mais adequados para o caso.

Dependendo do tipo de tumor, do tamanho, da localização e de outras características, podem ser indicadas diferentes técnicas cirúrgicas. Entre elas está a cirurgia micrográfica de Mohs, uma técnica especializada utilizada em casos selecionados.

O encaminhamento também faz parte do cuidado. Meu papel é reconhecer quando uma lesão precisa de investigação ou de uma abordagem especializada e orientar o próximo passo com clareza.

Correção do lóbulo da orelha

O lóbulo pode se alongar ou rasgar devido ao uso de brincos pesados, traumas ou alargadores.

A correção é realizada com anestesia local. Retiro as bordas da abertura e reconstruo o lóbulo com pontos delicados, buscando restabelecer seu formato.

Em alguns casos, a fissura é completa. Em outros, o furo está apenas alongado e próximo de se romper.

O planejamento varia conforme o formato do lóbulo, o tamanho da abertura e a presença de cicatrizes anteriores.

Após a cicatrização completa, pode ser possível realizar um novo furo em uma posição adequada. O momento ideal será definido durante o acompanhamento.

O que esperar da consulta

Mais do que observar a lesão, a consulta serve para compreender seu comportamento e definir se realmente existe indicação de um procedimento.

Durante a avaliação, considero:

  • O tipo e a aparência da lesão.
  • Sua localização e profundidade.
  • O tamanho e o tempo de evolução.
  • Mudanças recentes de cor, formato, textura ou volume.
  • Presença de dor, sangramento, inflamação ou crescimento.
  • Procedimentos ou tratamentos realizados anteriormente.
  • Seu histórico de saúde e os medicamentos em uso.
  • A necessidade de análise anatomopatológica.
  • A técnica mais adequada para o diagnóstico ou tratamento.
  • A cicatriz esperada e os cuidados posteriores.

Em alguns casos, a melhor conduta será acompanhar a lesão. Em outros, pode ser indicada uma biópsia, uma retirada completa ou o encaminhamento para outro profissional ou ambiente.

A decisão de operar vem depois desse exame. Antes de escolher a técnica, preciso entender o que está sendo tratado, por que o procedimento é necessário e qual abordagem oferece o melhor equilíbrio entre diagnóstico, segurança e resultado.

Como é uma pequena cirurgia dermatológica?

Primeiro, realizo a consulta e examino a lesão.

Dependendo do caso, o procedimento pode ser feito no mesmo dia ou agendado para outra data. Algumas cirurgias exigem preparação, suspensão ou ajuste de medicamentos apenas quando indicado e organização do material que será encaminhado para análise.

A anestesia local é aplicada na região a ser tratada. Você permanece acordado durante o procedimento, mas a área fica anestesiada.

Depois da retirada, posso utilizar pontos, curativo ou outra forma de proteção, conforme a técnica.

Antes de você ir para casa, explico os cuidados necessários, como higienização, troca do curativo, uso de medicamentos, restrição de esforço e data de retorno.

Quando há pontos, a retirada é programada de acordo com a região do corpo e com a evolução da cicatrização.

Toda lesão retirada precisa ser examinada?

A necessidade de análise anatomopatológica depende do tipo de lesão e da técnica utilizada.

Quando existe dúvida diagnóstica, suspeita de câncer de pele ou necessidade de confirmação, o envio do material é fundamental.

Mesmo lesões aparentemente benignas podem ter indicação de análise dependendo de suas características.

Não considero adequado decidir previamente que uma lesão é “apenas estética” sem examiná-la.

O diagnóstico clínico orienta o procedimento, mas o exame anatomopatológico pode fornecer a confirmação definitiva em muitos casos.

E a cicatriz?

Toda cirurgia que rompe a pele produz algum tipo de cicatriz.

Meu objetivo é planejá-la para que fique o mais discreta possível, respeitando as linhas naturais da pele, a localização e a necessidade de retirar completamente a lesão.

O resultado da cicatrização também depende de fatores individuais, como genética, região do corpo, tensão sobre a ferida, exposição solar, infecção, tabagismo e cuidados depois do procedimento.

Uma cirurgia bem realizada não significa ausência completa de cicatriz. Significa que houve planejamento para equilibrar a retirada adequada da lesão com o melhor fechamento possível.

Durante a consulta, explico onde a cicatriz provavelmente ficará e qual extensão pode ser necessária.

O que você deve me contar antes do procedimento

É importante informar:

  • Doenças e condições de saúde.
  • Medicamentos em uso.
  • Alergias.
  • Uso de anticoagulantes ou medicamentos que alterem a coagulação.
  • Histórico de sangramentos.
  • Presença de marca-passo ou outros dispositivos.
  • Tendência à formação de queloides.
  • Cirurgias e reações anestésicas anteriores.
  • Gestação ou amamentação.
  • Infecção ou inflamação na região.
  • Diagnósticos e exames anteriores relacionados à lesão.

Não suspenda medicamentos por conta própria. Quando algum ajuste for necessário, ele será discutido de forma individual.

A minha abordagem

Não trato uma pequena cirurgia como uma retirada automática.

Primeiro, procuro definir o diagnóstico mais provável, avaliar se o procedimento é realmente necessário e escolher a técnica mais adequada para aquela lesão e para aquela região.

Também considero o resultado estético, mas sem colocá-lo acima da segurança ou da necessidade de uma retirada completa.

Quando existe indicação de biópsia, explico o que pretendo investigar. Quando a lesão pode ser removida por inteiro, planejo a cirurgia considerando o fechamento e a cicatriz. Quando outro ambiente ou técnica é mais apropriado, essa orientação também faz parte da consulta.

Meu objetivo é conduzir o tratamento de forma segura, clara e proporcional à necessidade de cada paciente.

A indicação vem antes da cirurgia

Pequenas cirurgias dermatológicas podem resolver problemas funcionais, esclarecer diagnósticos e tratar lesões benignas.

Mas mesmo um procedimento ambulatorial começa com uma consulta médica.

Antes de decidir pela retirada, preciso compreender o que é a lesão, por que ela será tratada e qual técnica oferece o melhor resultado para o seu caso.

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Conteúdo informativo, escrito e revisado pela Dra. Thais Passos (CRM-MG 101191 · CRM-SP 246637). Não substitui a consulta médica e não configura diagnóstico ou indicação cirúrgica. A técnica, os riscos, os cuidados e o resultado variam conforme a lesão, a região tratada e as características individuais.

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